Estado do Livro: Capa desgastada
Jacinto vive rodeado de máquinas, telegramas, electricidade e erudição — senhor de um Paris que vibra como se o mundo fosse feito de progresso e ruído. Mas há dias em que o brilho da cidade se revela cansaço, e o conforto se transforma em enfado. Numa manhã fria, quase desencantada, decide regressar a Tormes, às serras portuguesas onde o ar é limpo e o tempo não corre — respira.
Pela voz fiel de Zé Fernandes, assistimos à lenta metamorfose de um homem que troca o excesso pelo essencial. Entre o bulício citadino e a quietude rural, nasce uma pergunta que ecoa até hoje: será a felicidade fruto da abundância… ou da simplicidade? Nesta obra da última fase de Eça, a ironia cede lugar a uma ternura luminosa, e o campo deixa de ser atraso para se tornar revelação.